quarta-feira, 22 de abril de 2015



Outros sentidos


outros sentidos nos arremessam
ao movimento constante
a vida partida em razão de novas

razões

sentido ao inconstante destino
velozes sentimentos em vias de desenganos
dores que nos freiam ou nos

sacodem

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nossos sentidos falecem em fato
não fenece contudo
o coração que abriga

o pulso

sentindo a perda ou o vazio
sem sentido por vezes
porém sempre à procura de

outras curvas

de novos sentidos, de ousados porquês
de outros outros em misteriosas jornadas
sentidos sentidos para vida

em constante movimento 

Outras vidas


Outras vidas, incansáveis partidas
Meu corpo entregue ao desvendar
Conjunção, terror, coerção, e sentido
O outro sempre neste modo de olhar
Outras vidas nas múltiplas vidas
deste único Estar.




Outras palavras


Outras palavras... 
É o que preciso para este novo universo de perdas e ganhos
Palavras de aceno ou doces certezas,
Um novo pretérito sem estes imensos porquês
Outros olhares, sentimentos ou escolhas
Novos rumos sem a tirania do imutável.

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Palavras curtas ou longas, frases curtas ou longas, pausas e vazios,
Universos refeitos nas curvas dos  fonemas.
Mais do que sons, maiores do que a passagem:
As Palavras comunicam, gestam órbitas e escuridão.

Outras palavras para um outro começo, o fim de um fim tão banal, 
Uma nova rota sem a dor das imprudentes distâncias:
Outros cenários onde eu não sinta a tristeza do impossível enigma.

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Nossas Palavras secas e impensadas, frases secas e impensadas, 
Universos rarefeitos nas curvas da desatenção.
Mais do que sons, muito além da fria gramática 
Palavras que encerram viagens de um futuro maior do que os nós.

Outras palavras, outro passado, sempre um novo universo:
Um presente adormecido nas indomáveis partidas,
A esperança de um futuro e de outras paragens, 
Felizes ternuras do cósmico enigma...
Simplesmente outras palavras.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014



Ponte


A ponte é precipício e partida
Horizonte feito de gente e pó
Enquanto caminho sou destino em movimento
Braços cansados à procura de um adeus.
Na ponte, sou aceno e saudade,
Pernas que desejam o limiar
Extensa via de repetidas passadas...


De uma ponte, de uma ponte a mais.





A ponte é distância e chegada
Elo finito de infinitos passados
Sou destino quando caminho ou paro;
Sou razão estaiada na emoção.
Pés e pegadas e pedaços e pedras
Passos que não podem voltar jamais
Enquanto sigo o ausente espaço...

De uma ponte, de uma ponte a mais.




“De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos, vagarosas saudades,
Silenciosas lembranças
Entre mágoas sombrias, momentâneos lampejos
Vagas felicidades,
Inatuais esperanças.”

(Cecília Meireles)


Pressa


Não consigo esquecer sua pressa de amar
Esse olhar de pedinte tão simples e abusado
Somos dois adolescentes em vestes de adultos
Ansiosos por romper o incontido desejo
Certamente não posso esquecer o seu rosto
E sua geniosa pressa de amar.

Não consigo entender as solitárias horas
Encarar o vazio que aplaude o tédio
Ou vagar na escuridão de sua ausência assim
Dois corpos temerosos pelo nunca mais
Simplesmente almas em busca
Da necessária e ocupada nudez.

Não posso abandonar o ponteiro
De nossas imprescindíveis horas
Ou deixar o abraço de seu vivo perfume
Somos pele, braços, pernas no limite do tempo
Intensamente feitos para resistir ao inconveniente
E inaceitável aceno de adeus.